O gasóleo e a gasolina são, sem dúvida, dois dos produtos mais conhecidos da indústria petroquímica, e também dos mais incompreendidos.
Apesar de partilharem a mesma origem (o petróleo bruto) e de serem frequentemente tratados como "a mesma coisa em versões diferentes", a verdade é que se trata de combustíveis com composições químicas, processos de produção e aplicações bastante distintas.
Esta distinção não é apenas uma curiosidade técnica, tendo implicações diretas na eficiência energética, no desempenho dos motores, no impacto ambiental e até nas estratégias de transição energética que o setor enfrenta atualmente.
Em que diferem a gasolina e o gasóleo?
Apesar de ambos serem uma mistura de hidrocarbonetos, esta possui um número diferente de átomos de carbono:
- De 4 a 10 na gasolina;
- De 10 a 22 no gasóleo.
Além disso, embora ambos provenham da destilação do petróleo bruto, aquecido a cerca de 400 ºC e recolhidos, sob a forma líquida, na coluna de destilação, o gasóleo (mais pesado) é recolhido na parte mais baixa, e a gasolina (ligeira) é recuperada no cimo da coluna.
As propriedades físicas também diferem:
- Gasolina
Num motor a gasolina, a inflamação dá-se com a mistura do líquido com ar e a faísca provocada por uma vela. Este motor de ignição por faísca (ou centelha), também é designado tecnicamente por motor de ciclo Otto (admissão > compressão > explosão > escape), em homenagem ao seu inventor, Nikolaus Otto, em 1876.
O número de octanas (ou octanagem) mede a capacidade de a gasolina resistir à autoignição prematura e é tanto mais estável quanto maior é este número. Em Portugal, utiliza-se a gasolina “normal”, com 95 octanas, e a “super” com 98.
O termo octanas provém do Octano, um hidrocarboneto saturado (C8H18), que se caracteriza pela sua alta resistência à combustão espontânea, ou autoignição.
Para se conhecer o número de octanas de uma gasolina, é comparada a sua resistência com uma mistura padrão de octano e heptano, tendo o octano um número de referência de 100, e o heptano, extremamente inflamável, um valor de 0.
Assim numa gasolina 95, esta terá um comportamento similar a um combustível composto com 95% de octano e 5% de heptano. Alguns combustíveis, como os usados na aviação ou em automobilismo, podem ter números de octanas superiores a 100.
- Gasóleo
Por sua vez, o gasóleo não se inflama à temperatura ambiente: se deitarmos um fósforo aceso sobre o líquido, apaga-se. O gasóleo necessita de atingir cerca da 70 ºC, que corresponde ao seu “ponto de fulgor” (ou de inflamação), ou seja, a temperatura mais baixa em que se liberta vapor suficiente para formar uma mistura inflamável com o ar.
No motor, o ar é comprimido, por forma a elevar a pressão e temperatura, e a inflamação dá-se com a injeção do gasóleo. Este motor de ignição por compressão é designado tecnicamente por motor de ciclo diesel, em homenagem a Rudolf Diesel.
Neste caso, o número de cetanas mede a facilidade de ignição do gasóleo/diesel após ser injetado, sendo que um índice mais elevado corresponde a um menor atraso entre a injeção e a explosão, facilitando o arranque a frio e reduzindo o ruído e as emissões.
Em Portugal, o gasóleo simples situa-se geralmente no valor mínimo exigido de 51, conforme a norma europeia, enquanto os premium/aditivados tem o índice elevado para valores entre os 53 e 55.
Curiosamente, o gasóleo europeu é um dos mais refinados do mundo, ao contrário do de países como os Estados Unidos da América, onde o mínimo é frequentemente de apenas 40.
Outras curiosidades sobre estes combustíveis
- Os motores diesel foram pensados para funcionar com óleo vegetal
- O gasóleo pode congelar
- Os primeiros postos de combustível eram farmácias
- A gasolina já foi um produto inútil
- O 1.º automóvel a gasolina é atribuído a Benz
Contudo, crê-se que os pioneiros terão sido, simultaneamente, mas de forma independente, os inventores Karl Benz e Gottlieb Daimler.
- A 1.ª viagem de automóvel da história foi secreta
Apesar de "secreta”, a viagem funcionou como uma esplêndida operação de marketing, que promoveu o automóvel.
