O petróleo é fundamental para a atividade da Quimicalis, por estar na origem de uma significativa parte das suas matérias-primas.
Após explorarmos o impacto do Brent no preço do petróleo, bem como a ginástica que determina o seu valor global, serve o presente artigo para compreender o motivo pelo qual o petróleo bruto é medido em barris e como é transportado, atualmente.
Por que motivo o petróleo é medido em barris?
O petróleo mede-se em barris por razões históricas que remontam ao início da indústria petrolífera moderna, no século XIX.
Aquando do início da exploração comercial, nos Estados Unidos, após a perfuração do primeiro poço moderno por Edwin Drake, em Titusville, na Pensilvânia, em 1859, ainda não existiam infraestruturas próprias para armazenar e transportar o crude.
Por forma a resolver esse problema, os produtores recorreram a recipientes já comuns no comércio da altura: barris de madeira usados para transportar produtos como vinho, peixe salgado ou whisky.
À medida que a indústria cresceu, tornou-se necessário criar uma medida padrão que facilitasse as transações comerciais.
Estabeleceu-se, assim, o chamado barril padrão de petróleo, equivalente a 42 galões norte-americanos, ou cerca de 159 litros.
Esta unidade foi adotada pela indústria e manteve-se como referência nos mercados internacionais, incluindo nos principais indicadores de preço do crude, como o Brent Crude Oil e o West Texas Intermediate.
Hoje, quase nenhum petróleo é transportado literalmente em barris. Na verdade, o crude circula sobretudo através de oleodutos, navios petroleiros e grandes tanques de armazenamento.
O principal meio de transporte é marítimo, em navios petroleiros, desde os mais pequenos, com capacidade de até 25.000 toneladas, até às classes Panamax, que transporta entre 60 e 80 mil toneladas, e Suezmax, que transporta entre 80 e 160 mil toneladas. Ainda maiores, os Ultra Large Crude Carrier (ULCC), com até 200 metros de comprimento e 70 metros de largura, transportam entre 320 e 550 mil toneladas.
Ainda assim, a unidade manteve-se por tradição e conveniência: os mercados continuam a calcular a produção, o comércio e o preço do petróleo em dólares por barril, uma herança histórica que permanece no centro da economia energética mundial.
Curiosamente, barril tem a sigla de “bbl” (do inglês barrel) a que se acrescentou o 2.º “b” para evitar confusão com outras abreviações, como “bl” (do inglês bale). Talvez mito, “bb” teria vindo de “blue barrel”, os barris azuis usados pela Standard Oil, no século XIX.
Em termos de valor médio do barril de petróleo, qual foi o top 10, em 2025?
Embora não existam rankings oficiais, o valor médio pode ser estimado com base em benchmarks, com fontes como o World Bank, Platts ou commodities:
- CPC Blend – Cazaquistão – 70,3 US$/barril – mistura leve com aceitação global
- Lula – Brasil – 67,8 US$/barril – muito boa valorização
- Brass River – Nigéria – 67,4 US$/barril – crude leve
- Murban – EAU – 66,9US$/barril – indicador de mercado para a região do Golfo
- Brent – Mar do Norte – 63,7 US$/barril – referência tradicional de preço internacional
- OPEC Basket – média OPEP – 62,8 US$/barril – média ponderada de grades OPEP
- Arab Light – Médio Oriente – 63,6 US$/barril – benchmark do Médio Oriente
- Dubai Fateh – Dubai – 64,4 US$/barril – benchmark da Ásia/ Médio Oriente
- West Texas Intermediate (WTI) – EUA – 57,9 US$/barril – referência de preço nos EUA
- Urals – Rússia – 56,6 US$/barril – blend russo mais pesado do que o WTI
Crédito da imagem: Issac Urrutia/Reuters.
