11 Março 2026

Entenda o termómetro do petróleo mundial

O petróleo é fundamental para a atividade da Quimicalis, por estar na origem de uma significativa parte das suas matérias-primas.

Antes das curiosidades que vamos explorar nas próximas semanas, a conjuntura geopolítica global exige perceber como o estado do mundo pode impactar o preço do petróleo e, por conseguinte, o preço dos produtos a que ele dá forma. 

Com o adensar do conflito no Médio Oriente, que começou com um ataque combinado entre os Estados Unidos da América e Israel contra o Irão, no final de fevereiro, o petróleo tem preenchido as manchetes e agitado as mesas de negociação, pela sua relevância global, em inúmeros setores.

A região em conflito é absolutamente crucial para o abastecimento mundial de petróleo, pelo que, quando há guerra ou risco de guerra, os mercados assumem imediatamente que o fornecimento pode enfrentar falhas e, por conseguinte, o mercado pode enfrentar subida de preços. 


Como se determina o preço do petróleo? 

O preço do petróleo, como o Brent Crude Oil ou o West Texas Intermediate (WTI), é determinado sobretudo nos mercados financeiros de matérias-primas, através da interação entre oferta, procura e expectativas. Não existe uma autoridade única que fixe o preço, pelo que ele forma-se continuamente nas bolsas.

Assim, grande parte do preço de referência do petróleo surge a partir de contratos futuros negociados em bolsas como: 
 

  • Intercontinental Exchange (ICE), onde o Brent é negociado; 
  • New York Mercantile Exchange (NYMEX), onde se negoceia o WTI. 

Nestes mercados, tanto empresas como bancos, traders e fundos compram e vendem contratos que representam o fornecimento futuro de petróleo. O preço que resulta dessas negociações torna-se, então, a referência global.

O Brent é um tipo de petróleo extraído no Mar do Norte, perto do Reino Unido e da Noruega, cujas características principais definem um produto: relativamente leve; com baixo teor de enxofre; fácil de refinar em combustíveis como gasolina e gasóleo.

Atualmente, o termo “Brent” não se refere apenas a um campo petrolífero específico, mas a um conjunto de campos e a um índice de preço usado como referência global.

Aliás, cerca de dois terços do petróleo negociado no mundo usa o Brent como referência de preço, influenciando diretamente:
 
  • Preço dos combustíveis;
  • Inflação global, pois um custo energético mais caro aumenta os custos de transporte e produção;
  • Economias e mercados financeiros, beneficiando países exportadores e prejudicando os importadores. 

Resumindo, o Brent é um indicador central do preço do petróleo no mundo, e qualquer alteração acaba por refletir-se na economia, inflação e preços da energia.

Entretanto, o fator estrutural mais importante é o equilíbrio entre produção de petróleo e consumo. Ou seja, se a procura mundial aumenta, o preço tende a subir; por sua vez, se a oferta aumenta, o preço tende a cair.

Por um lado, a procura depende de fatores como o crescimento económico global, o consumo de energia em países como China ou Estados Unidos da América, e transporte, indústria e aviação.

Por outro lado, a oferta depende de variáveis como a produção dos países exportadores, as reservas disponíveis, e a capacidade de refinação e transporte. Efetivamente, as decisões de produção tomadas por grandes grupos do setor influenciam diretamente o preço do petróleo.

Além disso, a especulação tem um papel preponderante na determinação do preço, pois uma parte significativa das transações é feita por investidores que não usam o petróleo fisicamente, mas apostam na evolução do seu preço.

Assim, se esses investidores acreditarem que no futuro haverá menos petróleo ou mais procura, os preços sobem imediatamente.

Por fim, conflitos, sanções e instabilidade em regiões líderes na produção podem alterar rapidamente o preço. Eventos em zonas como o Golfo Pérsico ou rotas críticas como o Estreito de Ormuz criam receio de falhas no abastecimento e resultam na subida dos preços, mesmo antes de haver escassez real.


Impacto de conflitos geopolíticos no preço do petróleo 

Países como a Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Catar estão entre os maiores produtores de petróleo do mundo. Dada o seu papel fundamental, com o conflito a ameaçar instalações, refinarias e campos petrolíferos, os mercados reagiram, temendo a queda da oferta global, e os preços subiram.

Além de ser uma região importante de exploração e fornecimento, grande parte do petróleo do Golfo passa pelo Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita entre o Irão e a Península Arábica: cerca de 20 % do petróleo mundial transportado por mar passa por ali. Se navios não conseguem atravessar o estreito por causa de ataques ou bloqueios, o impacto é global.

Recentemente, a circulação no estreito foi fortemente perturbada, reduzindo e forma drástica o fluxo de crude.

Mesmo antes de o fornecimento de petróleo ter sido afetado pelo conflito, o receio fez subir os preços. Aliás, o Brent subiu vários dias seguidos após a escalada militar, e os preços chegaram perto ou acima de 80 a 90 dólares por barril.

Reforçando o que vimos acima, quando o indicador central do preço do petróleo no mundo sobe por causa de crises geopolíticas, os impactos fazem-se sentir em cadeia:
 
  • Combustíveis mais caros;
  • Aumento da inflação;
  • Pressão sobre transportes e indústria;
  • Volatilidade nos mercados financeiros.